Sinónimos de Magia
Por Fátima Encarnado
junho 27, 2019
abril 21, 2019
Há muito tempo. Há tanto tempo.O tempo preciso e precioso de folhear sem dor um livro empoeirado nas prateleiras de um alfarrabista. Esqueceste-te de mim, eu sei. Mas sabes, sempre estive aqui, neste baloiço que balança entre nós dois. Umas vezes dentro do teu coração, outras vezes para fora do alcance dos teus olhos. Um dia disseram-me que o mundo é redondo como o Amor. Não sei se deva acreditar. Não conheço o mundo e muito gostaria de conhecer o Amor. O teu. Aquele que prendes tiranamente nas malhas do entendimento. Aquele Amor que guardas no fundo da mochila que carregas nos todos os dias. É a tua bagagem. É o teu património pensas tu. Não quero que acredites em nada do que digo, tudo isto são palavras. Apenas palavras acumuladas numa poça deixada pela chuva dos dias. Ainda não sei porque volto aqui. Ainda não sei porque voltas tu a mim e me deixas com este desassossego azul. Lembras-te do Mar? O Mar é verde. Repetes vezes sem conta ele é azul. Para mim será sempre verde. No entanto agonizamos encostados a esta parede fria e negra. De um lado verde, do outro lado azul. Eu e tu, de olhos fixos no mesmo ponto. Pressinto que a distância do azul acabará por ser o marcador que colocamos entre as páginas deste livro abandonado quando sabemos que a verdade está na pagina seguinte.
abril 30, 2017
abril 20, 2017
Estou acima do suportável para uma alma que vive sete palmos acima da realidade do corpo. Alguma vez ouviste falar daquela lenda que conta que as sete luas contadas a partir daquilo que conheces foram penduradas nas crateras de Marte por uma moura desencantada que se perdeu nos labirintos da existência?
abril 18, 2017
março 28, 2017
Bar El Bandoneón
O timbre das vozes, o burburinho aceso das conversas, o tilintar dos copos, as gargalhadas, o fumo do tabaco, o ar docemente alcoolizado e as vozes. Novamente as vozes. As vozes que me perseguem durante a noite enquanto durmo, enquanto não durmo, enquanto caminho neste mesmo compasso à luz do dia, nesta mesma altivez viciante de atrair olhares sobre mim ainda que fora destas paredes, ainda que longe do dever a que esta vida me obriga ou a que me obrigo. Estas vozes que mesmo divididas por mil casas de portas fechadas e bocas caladas continuamente se juntam algures para me assombrarem com obscenidades ditas ao ouvido. Aqui não as oiço, aqui os meus passos são acompanhados pelo silêncio que bebo em goles secos enquanto os meus olhos percorrem as mesas e saltam de cabeça em cabeça á espera de um sinal: um olhar, uma mão, um aceno, ou talvez uma voz mais alta destacando-se da multidão a chamar o meu nome.
Fátima Encarnado in Amy - 2009
Fátima Encarnado in Amy - 2009
março 24, 2017
Distraí-me. Distraí-me e mergulhei no repouso de um fogo esquecido entre dois corpos urgentes. Ateei a combustão do tempo improvável no toque das tuas mãos e bebi o álcool dos teus lábios como um vicio que se torna incurável. Não sei o que me aconteceu... lembro-me que te respirei na chama que tu eras, na chama que eu sou, no ar ardente em que nos tornávamos todas as vezes que o teu horizonte se confundia com o meu numa fotografia cada vez mais desfocada. E em cada gesto... a morte prometida, a sôfrega entrega de infinito rente ao beijo e o êxtase do meu corpo que se fechou e se deixou morrer no teu.
março 22, 2017
"Procuro adversário para jogo amigável de xadrez" escrevi a giz no muro velho cheio de musgo que fica na rua que vai dar ao infinito. Puxei do caderno de palavras cruzadas e do lápis que levava no bolso.
Devia ter trazido uma caneta - pensei.
Sentei-me no chão junto ao muro, na esperança de que o tabuleiro de xadrez chegasse a horas e de preferência quase vazio... Nunca gostei de multidões.
Lembrei-me que a falha de horários é coisa habitual quando há um xeque-mate, e isto de pedir um tabuleiro de substituição é coisa para uma vida inteira. Espero que o rei não se deixe seduzir facilmente mas ao mesmo tempo desejo que a rainha seja suficientemente audaz para o derrubar.
"2 horizontal : Capacidade de superar, de recuperar de adversidades, com onze letras."
Experimento a RESILIÊNCIA em prol da DESISTÊNCIA.
Olho para o fundo da rua e só vejo silêncio pintado nas paredes demasiado lisas do vazio, e lá ao fundo, o infinito.
Volto a focar-me:
"5 vertical: Estímulo, incitamento, com sete letras"
Penso nas sete vidas dos gatos, penso nas sete notas musicais, penso na sétima onda e penso que nada disto faz sentido. Experimento o IMPULSO e desisto da INÉRCIA. Reparo que o bico do lápis se partiu e eu não tenho afia... Devia ter trazido uma caneta - penso eu novamente.
Guardo o velho caderno de palavras cruzadas no bolso, atiro o lápis em direcção ao horizonte lá para os lados do sol-posto.
E o tabuleiro que não chega! Preciso chegar ao infinito antes do fim da tarde desta vida.
Apanho boleia de um alfabeto todo desarrumado que vinha a passar no preciso instante em que tinha decidido apagar a frase do muro.
Vejo o tempo passar entre as letras que se vão formando em palavras... A de Além, E de Emoção, C de Caminho e de Coração e de ...
Bah!... de que servem as palavras? - penso.
" 6 vertical: Dez vezes Cem, com três letras."?
MIL!
Porra! Esta era fácil! Se tivesse trazido a caneta completava mais uma linha das palavras cruzadas.
"4 horizontal: Qualidade do que pode acontecer, do que é possível, com treze letras."
Só pode ser a POSSIBILIDADE - penso.
Sem caneta de que me serve o caderno das palavras cruzadas? Arranco-o do bolso com a raiva de quem acorda tarde porque o despertador não tocou e abandono-o na prateleira do "E".
Salto por cima do "R", e escapo-me do alfabeto pela curva do "C" e sinto-me em casa.
"7 horizontal: Não finito; sem fim, com oito letras."
Só pode ser o INFINITO.
Doi-me a planta dos pés e percebo que estou descalça.
Um pensamento acompanhado de um sorriso de desdém: esqueci-me da razão junto ao muro! Não faz mal, a razão já não tinha atacadores e já me andava a cair dos pés.
"10 vertical (duas palavras) Jogada de ataque ao rei que remata a partida do xadrez"
XEQUE-MATE
março 21, 2017
Nos bolsos guarda o mínimo que conseguires. Faz a mala se achares necessário. Enche-a de silêncio (sim, de silêncio, vai fazer-te falta). Paga as dívidas que tens contigo mesmo, mas atenção, não vendas a alma, ela vai contigo à boleia do corpo (não há melhor companheira de viagem).
Abre a bagageira do coração e enche-a de sorrisos. De sorrisos teus. De sorrisos dos outros. Não receies a quantidade, cabe sempre mais um. Cabem sempre mais mil.
Muito importante: Abraça. Abraça-te e comove-te. Emociona-te com cada abraço que carimbas no teu passaporte. Preenche cada página com cada pedaço de ti que deixaste nos outros. (sim, continuam a ser pedaços teus na memória nos outros) mas não te despeças de nada. O essencial está contigo.
Nunca, mas nunca faças reservas de sentimentos... a hora da partida é "agora", é "já", nunca "depois".
Não tires bilhete para o Amor. Nem para a Gratidão. Nem para a Vida. Tudo o que é belo não se pode comprar e nunca tem lugar marcado. Permite-te a essa liberdade. Permite-te tão somente "ser".
Tudo o que és e que te foi deixado pelos outros? Não te preocupes, está tudo incluído em cada sorriso que deste e em cada abraço que te soube a pouco.
Outra coisa, não temas o silêncio que levas na mala, já te disse que te vai fazer falta.
Onde ficar? Pernoita ao relento dos teus pensamentos e fica mais perto das estrelas, mais perto do céu, não há lugar melhor para sonhar.
Mais uma coisa: Tu não tens medo. Não o levaste contigo, lembras-te? Essa é uma das dívidas que tinhas e que já saldaste.
Sobe ao cume desta realidade e olha à volta, rodopia à beira do abismo e olha para baixo. Olha bem para baixo e respira. Sente a vertigem na boca do estômago e abre os braços, mas antes abre a mala e coloca o silêncio sobre os ombros. Agasalha-te bem.
Abraça-te e voa. Voa-te levemente para fora da mala e sê a luz. Sê o Amor. O teu. Aquele que tens dentro de ti e parte nesta aventura. Viaja na asa da alma e toca o céu com a ponta dos dedos!
março 19, 2017
Talvez sejam loucuras internas em terapia ou tratamento de choque num hospício privado de literatura caseira. Daquela literatura que arrasta os pés calçados nuns chinelos e se faz soar irritantemente pelo soalho do quarto. Talvez o que escrevo não sejam mais que domingos de manhãs tardias, começos de tarde com pequeno almoço demorado no sofá da sala a rever filmes antigos na televisão. Talvez eu não escreva mais que frases preguiçosas e bocejos recostados numa almofada velha e coçada que já conhece a forma da minha cabeça. Talvez tudo isto não seja mais que a ilusão de que algo faz sentido nos instantes fugazes em que a minha existência física se torna numa grande mentira por todo o meu corpo e a verdade de uma suposta existência apenas existe nas mãos, que são o transporte para o que escrevo. Nunca escrevi presunção no remetente nem tão pouco quero enviar cartas fechadas à vaidade. Não me envaidece esta dor que me repuxa as entranhas, que me faz desaparecer para dentro de uma dimensão que desconheço mas que parece conhecer-me bem. Estas inexistências poderiam chamar-se exorcismos, partos dolorosos ou abduções momentâneas para mundos dos quais trago souvenirs e vivências na forma destas palavras estremunhadas, de olhos inchados, acabadas de acordar num domingo de manhã num manto de lençol branco a tentarem habituar-se a um quarto inundado de sol ou de mim.
março 14, 2017
E foi entre a penumbra duma noite quase dia que só as luzes do palco conseguem desenhar na pele que o sussurro da tua voz deslizou em mim... ahhh adocicados desejos de me fazer escorrer prazer por todos os lados do teu corpo. Como se tu fosses ilha e toda eu mar quente cheio de dedos de espuma que levemente beijam a orla de ti como pequenas ondas de maré cheia que lentamente te invadem aos poucos.. Sou mar encrespado de desejo mas tu seduzes-me, provocas-me a ser lagoa de águas doces e lisas quando me puxas para ti e todo o teu corpo se entrega aos mais pequenos contornos do meu. Sou água lânguida que te beija e estremece, e tu... tu bebes-me em tragos finos quando as nossas línguas se encontram e os nossos lábios quase se tocam. Mordo-te. tu tocas-me e eu... Eu sou novamente oceano agitado em ti e tu em mim és terra e bússola que me levam para fora de mim no doce navegar das tuas mãos em mim... Rendo-me à ondulação dos nossos corpos nus. Embebedo-me no teu cheiro e sou naufraga ardente quando tu península entras em mim. Vendaval de gemidos e murmúrios que se fundem com o intenso marulhar que emana dos nossos corpos molhados. Tão somente um gesto e sabemos. Ambos sabemos que mais não somos senão partículas dispersas de maresia, um sensual nevoeiro que aos poucos se extingue no mistério da penumbra daquela noite quase dia que só as luzes do palco conseguem desenhar na pele...
março 10, 2017
Começou a dançar ao som do medo e habitou-se. Como se tudo aquilo que o impedia de mexer os pés o mantivesse ainda mais preso às tábuas do soalho. Há fantasmas que se escondem nas veias, nas vísceras, na cartilagem dos ossos e habitam todo um corpo que se entrega a eles. Ele era um enigma para os seus próprios demónios.
Por um instante pensou nela e no instante seguinte censurou o pensamento, varreu-o da sala.
Não só aquele. Não aquele que acabara de ter, mas todos os pensamentos que fizessem caminho às lembranças que guardava dela.
Acendeu um cigarro para matar o vício. Não o vício de fumar mas o vício de pensar nela num instante e deixar de pensar nela no instante seguinte. Boas memórias. Boas e demasiadas memórias para serem apenas memórias.
Talvez uma dança com o silêncio, mesmo que uma dança sem movimentos o arrancasse daquele quadrado patético de banda desenhada e arrancasse dali aquele balão de pensamentos que estava prestes a rebentar. Encurralado em si mesmo, numa historia sem meio, sem fim, sem nada. Zero. Era assim que se sentia.
Fumou mais um cigarro. E outro, e mais outro e ainda outro. Mantinha-se sentado naquele cadeirão velho e coçado há horas. Tantas horas que se convertidas em minutos eram suficientes para lhes perder a conta. A insónia. Mais uma vez a insónia a roubar-lhe lucidez e a arrastá-lo numa espiral de loucura demasiado quieta, amorfa e conformada. Os vincos da pele que horizontalmente lhe marcavam a testa davam-lhe um semblante sombrio. O olhar carregado, o sangue aos gritos, o silêncio da casa e os demónios a morder, aos poucos, por dentro. Tão somente ele e todo o Amor que lhe sentia e que insistia em esmagar a favor dos fantasmas e dos medos. Os dele.
março 09, 2017
Prateleira estreita de madeira envelhecida a realçar o branco das páginas dos livros. As mãos a controlar a intensidade da luz imaginam um desenho inundado de texturas. O olhar a conjugar as cores, a combinar a nudez de um olho com a perícia milimétrica do outro. O dedo indicador a conversar com o instante: aquele momento que se despenha num ápice à minha frente.
[Teria sido um equivoco perfeito não fosse a imperfeição.]
Um franzir de testa. Um sorriso.
Haverá sempre poesia de luz a tempo de ser colhida.
março 08, 2017
Quando fechas os olhos, vives ou sonhas? E os teus ombros, suportariam o peso dos sonhos dos outros? Sonho ou realidade? Ilusão ou um pacto de sangue com o Universo? Imagina um rio de raiva, imagina uma ilha paradisíaca. Imagina que ainda estás no ventre da tua mãe, ou então, imagina a tua própria morte fechada dentro de um saco á espera que tu ou alguém a solte. Sabes o que está para lá da porta d' A Casa dos Sonhos? A tua realidade! Tens coragem para abrir a porta e espreitar para dentro dos sonhos dos outros como se fossem os teus? N' A Casa dos Sonhos não há telhados de vidro, mas as paredes têm ouvidos. N' A Casa dos Sonhos não há palco não há luz e os quartos estão desertos. N' A Casa dos Sonhos não encontrarás ninguém senão a ti mesmo.
março 03, 2017
Era tarde, quase noite.
Ela encostada a uma das teclas da maquina de escrever, ele a descansar deitado nas cerdas de um pincel encharcado de tinta azul. Ele sonhava com maçãs esvoaçantes e paletas enfeitadas de cores que ele mesmo inventava fora da realidade que os seus olhos viam. Consumia o belo que os outros não conseguem ver. Ela sonhava que escrevia mundos paralelos. Escrevia recostada na tecla F, fazendo da tecla R a sua secretaria. Escrevia palavras e frases que continham mundos que ela criava fora da paisagem, fora do corpo, para la do significado de todas as palavras. Ele era surrealista. Ela dizia-se louca. Nunca se tinham visto mas sabiam da existência um do outro. Ele morava numa tela, mesmo no centro de um grande pomar de macieiras que ficava mesmo ao lado das pilhas de folhas de rascunho de que eram feitas as paredes do mundo dela. Assim que o sol azulava o ceu ele subia o tronco da macieira mais alta e so dali descia ao entardecer, com a chegada da primeira estrela, Sentia-se assim mais próximo de todos os tons de azul, alimentava-se deles. Por outro lado, assim que as constelações invadiam o ceu e a noite abria o livro das magias e misterios, ela subia para topo da pilha de folhas de rascunho mais alta e tentava tocar as estrelas com as pontas dos dedos. Ele era o dia, ela era a noite e o silêncio habitava nos dois. Nunca se viam. Mas sabiam da existência um do outro. Durante o tempo que estava no topo da macieira a voz dele soava, rompia o silêncio de vez em quando, ecoando na textura do papel das folhas; Tu es surrealista! A voz dela so se ouvia quando ela estava no topo do seu mundo, mais perto de todas as estrelas e dizia-lhe: Surrealista? Eu?! Eu não existo!
fevereiro 18, 2017
fevereiro 17, 2017
fevereiro 10, 2017
fevereiro 06, 2017
fevereiro 05, 2017
Uma vez encontrei um silêncio que não sabia ser silêncio. Estava cheio de gritos. E quanto eu o quis amordaçar ele cortou-me as asas. Fiquei cheia de raiva, agarrei nele, embrulhei-o numa folha de jornal e tentei asfixiá-lo. Ele continuou a gritar. Gritou tanto, tanto, tanto que o seu próprio eco lhe implorou que se calasse. Naquele momento pensei que aquele silêncio tinha um eco que não era o dele, talvez o tivesse roubado a alguém, pensei. Enquanto pensava olhei em volta e percebi que o eco já não estava ali. Tinha se ido embora sem que eu lhe ouvisse os passos. O silêncio dormia agora minhas mãos. E as minhas asas, as minhas asas eram a folha de jornal que o embrulhava. Foi quando percebi que o silêncio pertence a quem o sabe ouvir.
fevereiro 03, 2017
fevereiro 02, 2017
A noite passou apressada por mim, nem sequer me cumprimentou. Quando dei por mim era já manhã e o pensamento nunca se desviou de ti. Irritam-me estas madrugadas sem rumo, este doer que investe nas coisas bonitas que trago no coração. Ate os meus passos que entoaram na sala vazia foram paradoxos. Tão longe de ti quanto perto eu queria estar.
janeiro 31, 2017
janeiro 30, 2017
Cada um vê o mundo à imagem da sua relação consigo mesmo, como se de um espelho se tratasse.
Confiar não é saber tudo sobre a outra pessoa, confiar é não precisar de saber nada e ainda assim manter o coração aberto para se dar inteiro a essa mesma pessoa.
Arriscar o coração não é para todos!
Isso é 'coisa' apenas para alguns....
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janeiro 26, 2017
janeiro 25, 2017
janeiro 17, 2017
Ver a vida do lado das costuras, do lado avesso, ao contrário, de pernas para o ar, tingir de outra cor, muitas cores, manchar, esburacar, espreitar a etiqueta e quebrar as regras de lavagem, de secagem, pendurar a vida à chuva, rasgar, esgaçar, descoser, alinhavar, subir a bainha, fazer um novo corte, um novo modelo, à medida do exacto desatino que efervesce. Remodelar, recomeçar, relaxar, reinventar... re... re...
É preciso!
O tecido do passado avistado dos moldes do futuro é o melhor dos prefácios para o livro que se abre no presente.
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dezembro 29, 2016
Falta-me um grão de pó na algibeira. Falta-me uma dioptria na vidraça da janela da percepção, falta-me um raio de sol, um veio de lava. Falta-me a flor amarela que semeei no chão da Via Láctea. Falta-me um tacto sem acordo ortográfico. Sem sinónimo. Falta-me uma palavra manuscrita no muro do Trump, um vómito sagrado dentro de uma lata de tinta. Em tons de raiva, do tamanho do silêncio das pedras, nas cores dos ventos que levam os tempos do verbos.Falta-me um gerúndio, um condicional, um imperativo. Faltam-me os voos dos sentidos proibidos, as ultrapassagens internas, o desgaste dos sapatos da imaginação. Ando desconfiada desta paz que me habita o branco dos olhos.
dezembro 21, 2016
dezembro 17, 2016
dezembro 14, 2016
dezembro 04, 2016
Tanto caminhou que em direcção a coisa nenhuma que acabou por encontrar o fim do mundo. Do seu. Do dela. Era uma parede de pedra com uma pequena janela de madeira onde estavam suspensos dois cortinados de chita que não permitiam ver o outro lado. Mesmo ao lado da janela havia uma mesa feita de pó da lua onde repousava um copo cheio de Via Láctea.
novembro 23, 2016
novembro 02, 2016
'Gramatiquices, pessoas humanas e afins' ou 'Breves são as frases mal construídas'
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'Vulnerável' é um adjectivo que nunca deve constar na mesma frase onde exista o substantivo 'amizade'.
Se por acaso estas duas palavras estiverem juntas na mesma frase, a frase está errada. E o erro não está no adjectivo, mas sim no substantivo, que não está a ser bem empregue.
(Nota bem, o erro também está em ti, sim, em ti que ainda não aprendeste a lição e ainda acreditas nas pessoas.)
Em caso de erro, substituir todas as palavras da frase por um verbo. O verbo deve ser conjugado no Pretérito Perfeito na primeira pessoa do singular: 'Caguei!'
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vul·ne·rá·vel
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1. Que se pode vulnerar.
2. Diz-se do lado fraco de uma questão ou do ponto por onde alguém pode ser ferido ou atacado.
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outubro 05, 2016
outubro 02, 2016
Partilhamos tudo. Menos o medo. Aquele de dentro. O que nos mata e nos torce por dentro. Aquele que nos faz sentir minúsculos dentro da casca de noz que nos mantém à tona. Partilhamos tudo. Desejos, interesses, incómodos, felicidades contrafeitas, gostos e desgostos. Partilhamos tudo. Menos o medo. Sim. Esse medo.
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