Falta-me um grão de pó na algibeira. Falta-me uma dioptria na vidraça da janela da percepção, falta-me um raio de sol, um veio de lava. Falta-me a flor amarela que semeei no chão da Via Láctea. Falta-me um tacto sem acordo ortográfico. Sem sinónimo. Falta-me uma palavra manuscrita no muro do Trump, um vómito sagrado dentro de uma lata de tinta. Em tons de raiva, do tamanho do silêncio das pedras, nas cores dos ventos que levam os tempos do verbos.Falta-me um gerúndio, um condicional, um imperativo. Faltam-me os voos dos sentidos proibidos, as ultrapassagens internas, o desgaste dos sapatos da imaginação. Ando desconfiada desta paz que me habita o branco dos olhos.

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