Nos bolsos guarda o mínimo que conseguires. Faz a mala se achares necessário. Enche-a de silêncio (sim, de silêncio, vai fazer-te falta). Paga as dívidas que tens contigo mesmo, mas atenção, não vendas a alma, ela vai contigo à boleia do corpo (não há melhor companheira de viagem).
Abre a bagageira do coração e enche-a de sorrisos. De sorrisos teus. De sorrisos dos outros. Não receies a quantidade, cabe sempre mais um. Cabem sempre mais mil.
Muito importante: Abraça. Abraça-te e comove-te. Emociona-te com cada abraço que carimbas no teu passaporte. Preenche cada página com cada pedaço de ti que deixaste nos outros. (sim, continuam a ser pedaços teus na memória nos outros) mas não te despeças de nada. O essencial está contigo.
Nunca, mas nunca faças reservas de sentimentos... a hora da partida é "agora", é "já", nunca "depois".
Não tires bilhete para o Amor. Nem para a Gratidão. Nem para a Vida. Tudo o que é belo não se pode comprar e nunca tem lugar marcado. Permite-te a essa liberdade. Permite-te tão somente "ser".
Tudo o que és e que te foi deixado pelos outros? Não te preocupes, está tudo incluído em cada sorriso que deste e em cada abraço que te soube a pouco.
Outra coisa, não temas o silêncio que levas na mala, já te disse que te vai fazer falta.
Onde ficar? Pernoita ao relento dos teus pensamentos e fica mais perto das estrelas, mais perto do céu, não há lugar melhor para sonhar.
Mais uma coisa: Tu não tens medo. Não o levaste contigo, lembras-te? Essa é uma das dívidas que tinhas e que já saldaste.
Sobe ao cume desta realidade e olha à volta, rodopia à beira do abismo e olha para baixo. Olha bem para baixo e respira. Sente a vertigem na boca do estômago e abre os braços, mas antes abre a mala e coloca o silêncio sobre os ombros. Agasalha-te bem.
Abraça-te e voa. Voa-te levemente para fora da mala e sê a luz. Sê o Amor. O teu. Aquele que tens dentro de ti e parte nesta aventura. Viaja na asa da alma e toca o céu com a ponta dos dedos!

Sem comentários:
Enviar um comentário