abril 21, 2019

Há muito tempo. Há tanto tempo.O tempo preciso e precioso de folhear sem dor um livro empoeirado nas prateleiras de um alfarrabista. Esqueceste-te de mim, eu sei. Mas sabes, sempre estive aqui, neste baloiço que balança entre nós dois. Umas vezes dentro do teu coração, outras vezes para fora do alcance dos teus olhos. Um dia disseram-me que o mundo é redondo como o Amor. Não sei se deva acreditar. Não conheço o mundo e muito gostaria de conhecer o Amor. O teu. Aquele que prendes tiranamente nas malhas do entendimento. Aquele Amor que guardas no fundo da mochila que carregas nos todos os dias. É a tua bagagem. É o teu património pensas tu. Não quero que acredites em nada do que digo, tudo isto são palavras. Apenas palavras acumuladas numa poça deixada pela chuva dos dias. Ainda não sei porque volto aqui. Ainda não sei porque voltas tu a mim e me deixas com este desassossego azul. Lembras-te do Mar? O Mar é verde. Repetes vezes sem conta ele é azul. Para mim será sempre verde. No entanto agonizamos encostados a esta parede fria e negra. De um lado verde, do outro lado azul. Eu e tu, de olhos fixos no mesmo ponto. Pressinto que a distância do azul acabará por ser o marcador que colocamos entre as páginas deste livro abandonado quando sabemos que a verdade está na pagina seguinte.

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