março 14, 2017

E foi entre a penumbra duma noite quase dia que só as luzes do palco conseguem desenhar na pele que o sussurro da tua voz deslizou em mim... ahhh adocicados desejos de me fazer escorrer prazer  por todos os lados do teu corpo. Como se tu fosses ilha e toda eu mar quente cheio de dedos de espuma que levemente beijam a orla de ti como pequenas ondas de maré cheia que lentamente te invadem aos poucos.. Sou mar encrespado de desejo mas tu seduzes-me, provocas-me a ser lagoa de águas doces e lisas quando me puxas para ti e todo o teu corpo se entrega aos mais pequenos contornos do meu. Sou água lânguida que te beija e estremece, e tu... tu bebes-me em tragos finos quando as nossas línguas se encontram e os nossos lábios quase se tocam. Mordo-te. tu tocas-me e eu... Eu sou novamente oceano agitado em ti e tu em mim és terra e bússola que me levam para fora de mim no doce navegar das tuas mãos em mim... Rendo-me à ondulação dos nossos corpos nus. Embebedo-me no teu cheiro e sou naufraga ardente quando tu península entras em mim. Vendaval de gemidos e murmúrios que se fundem com o intenso marulhar que emana dos nossos corpos molhados. Tão somente um gesto e sabemos. Ambos sabemos que mais não somos senão partículas dispersas de maresia, um sensual nevoeiro que aos poucos se extingue no mistério da penumbra daquela noite quase dia que só as luzes do palco conseguem desenhar na pele...   

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