Arnaldo Macedo resume-se a um verbo. Conjugado através dos tempos e em todos os tempos que a gramática permite. Dar. Dar-se-me-nos. Dar. Tão somente "dar". Na forma mais pura. Na forma terrena possível. Na forma de quem dá um beijo por impulso. Na forma de quem abandona a mão na palma de outra mão para se sentir vivo. E isso é Amor. Dar é amar, e Arte é amor. Um Ser de arte não é de ninguém sendo de todos. Dá-se à Arte. Dá-se a si mesmo. Dá-se ao mais profundo da sua imaginação adentrando-se poeticamente pelo Ser que vive no brilho dos seus olhos. E é na mágica criação que se dá. Que se abre como uma janela que deixa entrar o mundo pela manhã e encerra portadas logo a seguir antes do orvalho da noite... talvez porque o medo de se dar aos outros sem defesas seja maior que a ousadia de criar amor em forma de arte. O que é a Arte para o Artista? Creio lhe seja uma ténue muralha necessária entre os outros. Os outros. Eu, tu, ele... Nós. Um fosso que separa o criador de arte dos outros e principalmente dele mesmo. Todo o Amor que fervilha dentro do artista é demasiado denso, para quem olha a sua arte e principalmente para ele mesmo. A arte é um Amor incompreendido, impossível e insatisfeito que nunca se esgota. É a busca pela perfeição que o torna infinito. Criar algo é trazer para o lado de cá da janela o Amor que já não cabe do lado de dentro. É dar-se. É dar-se-me-nos. É abrir cortinas e deixar entrar a luz fecunda de mais amor... Ahhhh a puta da frustração de ter tanto Amor para dar e a incompreensível opacidade que separa esta dimensão das outras...
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