agosto 11, 2014

Falaste-me da frescura das manhãs num entardecer quente de Agosto como se dum antídoto-sorriso em estado liquido se tratasse. Vestias de branco-céu rasgado de leves rastos plúmbeos de aves dispersas de regresso à casa partida.
"Número nove", disseste-me. Lembro-me do som ritmado dos dados a embater nas paredes do copo meio-cheio de realidade onde a intermitência do teu olhar marcava cada palavra. Nada mais que a justa aceitação do sorriso e o que davas de ti em cada gesto. As mãos. A lentidão das mãos a esvair-se no instante que se fechou a sete chaves num abraço. As mãos. As minhas. A tua voz melifica a deslizar entre dedos... e já não te ouviam os meus lábios, apenas te escutava o arrepio de me saberes tanto.  Diz a lenda que era magia movendo-se na corrente do sangue, uma fresta de luz, um fragmento de futuro para guardar e lembrar nos próximos dourados fins de tarde de Verão quando me sentar em silêncio sob um tapete voador de estrelas à espera da chegada da lua. Um silêncio meu que também será teu... sei que o saberás ouvir. 

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